Há políticos que governam o noticiário. E há aqueles que o ignoram com a elegância serena de quem sabe que o jogo tem hora certa para começar. JHC parece, há muito, pertencer a esta segunda espécie — rara, diga-se, no bestiário da política brasileira.
O ex-prefeito de Maceió se move ao ritmo de uma partitura que só ele conhece. As redes sociais falatam de alianças; os corredores murmuram rompimentos. Ele, mouco. Não por desatenção, fique claro, mas pela altivez calculada de quem confia mais no próprio compasso do que no tambor alheio. É uma forma de soberania política que, convenhamos, não abunda por aqui.
Há um personagem que ele cultiva com obstinação quase literária: o “JHC do povo”. Não o abre mão, nem em campanha, nem fora dela. É sua armadura e seu estandarte ao mesmo tempo. Maquiavel diria que o príncipe sábio não apenas detém o poder — ele encarna a imagem que o sustenta. JHC parece ter lido a lição.
Os rumores de uma aproximação com Arthur Lira e Alfredo Gaspar circulam com insistência. E há, nos fatos, algum fundamento: é com eles que sua proximidade mais se evidencia. Mas o casamento, se vier, não virá antes das convenções partidárias, quando as especulações ganham — ou perdem — carne e osso. Até lá, silêncio estratégico. Ou, como se diz nos bastidores com respeito mal disfarçado: primeiro ele, segundo ele.
É o estilo. E estilos, quando consistentes, têm uma virtude rara na política: não precisam de explicação.




