Há uma geometria própria no poder quando ele começa a tomar forma antes de ser declarado. Não se anuncia por megafone nem desfila em carreata. Ele se move em silêncio, por corredores que a imprensa não frequenta e em conversas que não chegam às atas. É nesses espaços discretos que JHC está tecendo, fio a fio, a malha que sustentará a chapa majoritária.
O que os adversários leram como pausa, o jogo leu como estratégia. Enquanto a oposição se ocupa em tentar encolher a figura dele — esforço que lembra o de quem sopra contra o vento esperando que o vento recue —, lideranças de peso já gravitam em torno do seu nome. Calam por precaução, não por dúvida. Sabem que o relógio da política tem hora certa para soar, e que antecipar o toque é, muitas vezes, perder a música.
Existe uma distinção que os apressados costumam confundir: há quem espere e há quem construa enquanto aguarda. O primeiro é paciente por inércia; o segundo, por cálculo. JHC pertence à segunda espécie. As costuras que faz hoje não são improvisação de bastidor — são a fundação de uma arquitetura que, quando revelada, vai parecer ter surgido de repente, como todo edifício sólido que só se mostra inteiro depois que o andaime desce.
A oposição, ao insistir em diminuí-lo, comete o equívoco clássico de quem mede o adversário pelo tamanho do ruído que ele faz. JHC não está fazendo ruído. Está fazendo política — que é coisa bem diferente, e infinitamente mais duradoura.




