A política tem dessas: briga feio, abraça devagar. É uma arte que os iniciantes confundem com traição e os veteranos chamam, simplesmente, de sobrevivência.
O que se viu na janela partidária foi barulho. Muito barulho. Ataques de um lado, revezes do outro, o tipo de troca que enche o noticiário e esvazia o significado. Mas quando a poeira baixa — e ela sempre baixa —, o que resta é o cálculo. Frio, geométrico, implacável.
E o cálculo, neste momento, aponta para o mesmo palanque. PL e JHC, depois de toda a encenação do afastamento, caminham para uma reaproximação que quase ninguém que conhece esse jogo por dentro consideraria surpreendente. Alfredo Gaspar pode ter assinado seu protocolo com Arthur Lira — e sinais têm peso na política —, mas continua aparecendo nas atividades de pré-campanha do ex-prefeito. Discretamente, porém presencialmente. Em política, presença não mente.
Há um tipo de aliança que resiste exatamente porque não é declarada. Vive nas margens, nos gestos medidos, na ausência estratégica de rompimentos definitivos. É o tipo de relação que os protagonistas negam numa semana e celebram na seguinte, sem qualquer constrangimento — porque o constrangimento, nesse metier, é luxo que ninguém pode se dar. O que conta não é o que foi dito ontem, mas quem está ao lado amanhã.
A tendência, portanto, é essa: a tormenta foi teatral, a calmaria pode ser real. Alfredo Gaspar e JHC devem, mais cedo ou mais tarde, dividir o mesmo espaço. A política alagoana — como toda boa política — raramente mata suas pontes. Prefere, com habilidade cirúrgica, deixá-las de pé, ainda que parcialmente submersas.




