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Gaspar afina o discurso de segurança, Davino aposta no mercado e Fleming ocupa a esquerda sozinho

Há disputas que revelam menos sobre os candidatos do que sobre o próprio tempo em que ocorrem. Esta é uma delas.

Davino carrega a bandeira do liberalismo econômico, aquele credo de centro-direita que acredita no mercado como bússola e no Estado como fardo a ser aliviado. É uma postura coerente, ainda que pouco inflamável — difícil de transformar em grito de palanque, difícil de embalar em slogan que faça pulso levantar e garganta rasgar.

Gaspar, por sua vez, escolheu o caminho mais curto entre o palanque e o instinto do eleitor: a segurança pública. Sabe que o noticiário policial educa politicamente, todos os dias, com uma eficiência que nenhum marqueteiro pagará. Seu discurso contra o governo Lula é, pelo que se vê, afiado — construído com a precisão de quem passou anos dentro do tema e aprendeu onde doem os argumentos.

Entre os dois, resta Fleming, da UP, voz solitária da esquerda nesta arena. Não chega com o apelo que vira eleições, mas ocupa um espaço que, sem ele, ficaria simplesmente vazio: o da divergência organizada, o do humanismo como plataforma, o das questões sociais ditas em voz alta quando todos os demais preferem falar de crime e de juros.

O que se tem, portanto, é um espectro político quase completo — da ordem liberal ao humanismo de esquerda, passando pela direita da lei e da ordem. Três projetos distintos, três diagnósticos diferentes sobre o que aflige o cidadão. O problema, invariavelmente, é que o eleitor não vota no diagnóstico mais sofisticado. Vota naquele que lhe tocou mais fundo a ferida.

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