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Pai aplaude Renan, filho sobe no palanque de JHC: a geometria dos Barbosa em Arapiraca

Há uma arte muito antiga no tabuleiro político brasileiro que os manuais de ciência política raramente ensinam com a devida franqueza: a arte de honrar sem comprometer. De aplaudir sem aderir. De acenar com o lenço sem pisar no navio.

Luciano Barbosa domina essa gramática com desenvoltura de veterano. Neste domingo, o prefeito de Arapiraca ergueu a taça em nome de Renan Calheiros — o patriarca, o senador de peso, a figura que há décadas calibra o equilíbrio de forças em Alagoas — e o fez com toda a pompa da deferência política. A homenagem foi real. O compromisso, não.

Porque ali onde termina o elogio começa o silêncio estratégico. Barbosa não disse uma palavra sobre Renan Filho para o governo do estado. Nem sim, nem não. Apenas o vácuo calculado de quem conhece o valor do que ainda não entregou. Em política, o indefinido tem cotação. A promessa é moeda gasta; a ambiguidade, reserva de ouro.

E o enredo tem mais camadas. O mesmo prefeito que acena ao clã Calheiros aguarda, de braços abertos, o palanque de JHC — que, por sua vez, faz campanha pelo filho de Barbosa, Lucas, candidato a deputado estadual. O círculo é elegante demais para ser coincidência. É geometria. Pai homenageia o senador da República enquanto o filho sobe no palanque financiado por quem antagoniza o mesmo clã. Uma família, duas apostas, nenhuma queimada.

Stendhal observou certa vez que a política é como uma pedra amarrada ao pescoço da literatura — mas no caso de Arapiraca, a política parece mais com um malabarista de praça, mantendo no ar argolas que, se caírem juntas, fazem o espetáculo inteiro desabar. Luciano Barbosa, por ora, não deixa nenhuma tocar o chão. O mistério persiste, os filhos avançam e o patriarca Calheiros recebe a sua homenagem — sem receber, ainda, o que realmente quer.

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