Duas vagas. Seis nomes com pretensões. E um estado com tradição milenar de transformar eleição em equação de muitas incógnitas e poucas certezas. Assim caminha Alagoas rumo a 2026, com o Senado convertido no palco mais movimentado — e mais imprevisível — da próxima temporada eleitoral.
Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Renan Calheiros, Davi Davino Filho, Eudócia Caldas, Dr. José Wanderley. O elenco é extenso para duas cadeiras. E quando o palco comporta menos atores do que os que querem subir nele, o enredo inevitavelmente descamba para o drama — às vezes para a farsa. Nos bastidores, quem acompanha o jogo de perto sabe que as pesquisas atuais pouco dizem sobre o desfecho: mostram apenas que a disputa está aberta, que ninguém domina e que a reta final pode reescrever tudo.
Há uma geometria peculiar na política alagoana. Ela não se resolve por linhas retas. Resolve-se por ângulos que mudam conforme mudam os palanques, as alianças e os humores do eleitorado — que tem longa experiência em surpreender quem julgava tê-lo domesticado. O voto útil, essa criatura enigmática que aparece sempre na hora menos conveniente para os favoritos, pode ser o fator que embaralha o tabuleiro quando o jogo parecer decidido.
A definição dos palanques, nesse cenário, não é detalhe de logística. É a própria substância da disputa. Quem se arrima em quem, quem aceita dividir palanque com quem, quem recusa a companhia de quem — cada uma dessas escolhas construirá ou demolirá candidaturas inteiras antes mesmo de o primeiro comício ser armado. Em Alagoas, sabe-se desde sempre: a política é feita nas conversas que antecedem os discursos, não nos discursos.
O que os próximos meses reservam é, por enquanto, um enigma digno de respeito. Há competitividade espalhada, há ambição distribuída, há incerteza soberana. E é exatamente essa combinação que torna 2026, no campo senatorial alagoano, a disputa que nenhum analista sensato ousará dar como encerrada antes do tempo.




