⛅
Maceió []
Min: Max:
Pesquisar

A cadeira que range

Em política, uma cadeira que se esvazia raramente é apenas uma cadeira. É um sinal. Às vezes um aviso. Eventualmente, uma declaração de guerra disfarçada de mera burocracia administrativa.

Rodrigo Cunha exonerou o secretário indicado pelo prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa e manteve a indicação para Arapiraca através da candidata a vice-governadora Célia Rocha. O ato em si cabe num único parágrafo de Diário Oficial. O que não cabe em papel nenhum é o que essa saída significa para a geometria de forças que já começa, sorrateiramente, a se rearranjar pensando em 2026.

Quando um prefeito de capital aceita uma indicação de outro prefeito para compor sua administração, está fazendo muito mais do que preencher uma secretaria. Está selando um pacto, reconhecendo um peso político, emitindo um sinal de reciprocidade. E quando esse mesmo nome é exonerado, o gesto de volta carrega a mesma densidade simbólica — só que invertida. É o mapa que se redesenha, a aliança que range, o equilíbrio que se desloca.

Em Alagoas, onde as relações entre grupos políticos são construídas em camadas finas e superpostas, como sedimento de um terreno que guarda toda uma geologia de acordos e desavenças, uma mudança aparentemente técnica pode ser o prenúncio de um rearranjo mais profundo. Luciano Barbosa não é figurante no tabuleiro alagoano. E JHC, ao mover essa peça, sabe exatamente o peso do que está fazendo — ou deveria saber.

Nos bastidores, dizem os que circulam por lá, cada exoneração tem um endereço. A questão é descobrir para quem a carta foi enviada — e se o destinatário já a recebeu.

VEJA TAMBÉM