A política alagoana tem dessas arquiteturas silenciosas, montadas peça por peça, longe dos holofotes, antes que qualquer debate comece de fato. O anúncio de Marina Cintra como candidata a deputada federal pelo PSDB em 2026 não é uma notícia isolada — é um encaixe calculado numa estrutura maior, desenhada com a régua e o compasso da estratégia eleitoral que orbita em torno de JHC e sua candidatura ao Governo do Estado.
Não se trata de improviso. Raramente se trata. As chapas proporcionais bem construídas funcionam como peças de um tabuleiro de xadrez: cada nome cumpre uma função, cada candidatura carrega consigo um território, uma rede, uma promessa de votos que se soma ao projeto principal. Marina entra na disputa pelas nove cadeiras de Alagoas na Câmara Federal, e entra com o palanque de JHC nas costas — ou, a depender do ângulo, com JHC a utilizando para ampliar sua própria capilaridade na proporcional.
Nos cálculos do grupo, há possibilidade de eleger até dois deputados federais. Dois. Numa bancada de nove, isso representa presença, peso, capacidade de negociação em Brasília. Não é ambição descabida — é aritmética eleitoral, e os que sabem fazê-la raramente erram na conta.
O que se vê, portanto, é a geometria clássica da política: quem quer governar precisa de aliados que legislem, quem quer legislar precisa de quem dê sustentação no palanque. Marina e JHC, cada um a seu tempo, saberão o preço exato dessa equação. A conta, como sempre, se acerta depois.




