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Do palanque para os autos: decisão judicial transforma provocação de Renan Filho em derrota documentada

Há uma espécie de Nemesis, conhecida dos gregos e dos advogados, que aguarda pacientemente o momento em que o fanfarrão proclama a sua invencibilidade. Renan Filho a conheceu esta semana.

“Quero ver me processar.” A frase, lançada como um escudo, virou o próprio dardo. JHC não hesitou. Acionou a Justiça, e a Justiça respondeu com a velocidade que costuma surpreender quem apostou na lentidão do Judiciário como cálculo político. Tutela de urgência, prazo de um dia, remoção das publicações, proibição de repetir as acusações em propaganda eleitoral. O desafio público de Renan Filho ganhou, em 72 horas, a forma de uma derrota judicial documentada.

O mérito da disputa — quem disse o quê sobre o Iprev, quem tem ou não relação com Ronnie Reyner Teixeira Mota, o que de fato aconteceu com os recursos dos servidores de Maceió — seguirá o seu curso nos autos, com a devida lentidão processual. Mas o episódio político já entregou a sua moral antes mesmo do julgamento definitivo: a arrogância da provocação é, quase sempre, o primeiro rascunho da própria derrota.

Existe, nas campanhas eleitorais, uma tentação recorrente que se poderia chamar de síndrome da imunidade declarada — o candidato que, confiante no ruído das redes e no calor da torcida, acredita ter ultrapassado o patamar onde as consequências ainda alcançam os mortais comuns. Renan Filho parecia seguro nessa altitude. A decisão judicial o devolveu ao térreo com alguma brusquidão.

A disputa pelo Governo de Alagoas entre os dois campos ganhou, portanto, um novo front — o judicial —, e ele promete ser tão barulhento quanto o eleitoral. O que estava, até aqui, no plano da retórica e da guerra de acusações migrou para o papel timbrado, para os autos numerados, para a linguagem dos prazos e das intimações. É uma escalada. E toda escalada, como ensinaria qualquer alpinista experiente, torna a descida consideravelmente mais arriscada para todos os que sobem.

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