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Lira cobra, PP exige em voz alta e JHC segue no compasso da barriga

Há uma arte secular, cultivada nos corredores do poder desde que o poder existe, que consiste em adiar o inevitável com tal elegância que os observadores confundem a procrastinação com estratégia. JHC parece ter estudado esse ofício com afinco. A cena é a seguinte: Arthur Lira cobra que a senadora Eudócia Caldas não dispute a reeleição. O PP, partido de Lira, vai além e faz a exigência em voz alta, sem rodeios, na praça pública. E JHC? JHC empurra com a barriga, que é, convenhamos, a forma mais elegante que a política brasileira encontrou para dizer que ninguém ainda decidiu de verdade o que quer, mas todos fingem que já sabem o que não querem. A proposta que circula nos bastidores tem aquela lógica contorcida, quase geométrica, que só a política de aliança de última hora é capaz de produzir: o candidato ao Senado oferece à mãe do ex-prefeito da capital o lugar que ela perderia na chapa — a suplência. Troca-se o trono pela poltrona do lado. Eudócia sai de titular e entra como reserva. É rebaixamento embrulhado em papel de presente. O que distingue JHC nesse jogo não é a audácia nem a lealdade — é a paciência. Saber empurrar negociações com a barriga exige uma tolerância ao desconforto que poucos políticos sustentam por muito tempo. A maioria cede à pressão ou rompe com estrondo. Ele demora. Espera o adversário cansar. Deixa a aliança apodrecer até o ponto em que qualquer solução parece boa. Então fecha. O relógio, porém, não é infinito. Falta pouco, como se diz, para sabermos qual proposta vinga. E é nesse “pouco” que reside a única pergunta que importa: quando a barriga finalmente ceder, o acordo que surgir será obra da habilidade de JHC — ou simplesmente da exaustão de todos os envolvidos?

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