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Luciano Barbosa sobe ao palanque e promete ser soldado de Lira no Senado

Luciano Barbosa sobe ao palanque e promete ser soldado de Lira no Senado

Há uma cena que se repete, nos palanques e nos salões, desde que a República aprendeu a ser o que é: o poderoso que se lança ao posto seguinte e os fiéis que comparecem, em fila ordeira, para atestar que ele é insubstituível. O ritual tem a beleza fria das cerimônias inevitáveis.

Foi o que se passou no domingo, em Alagoas, com o lançamento da candidatura de Arthur Lira ao Senado. O prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, subiu ao palanque e entregou o discurso com a generosidade de quem paga uma dívida e, ao mesmo tempo, investe num crédito futuro. Disse que Lira “não é uma promessa” — é “uma certeza”. Prometeu ser “um soldado” na campanha e percorrer o estado em seu nome. Palavras que os prefeitos guardam para as ocasiões em que o cálculo e a gratidão se encontram no mesmo envelope.

Há algo de quase homérico nessa lealdade declarada em praça pública. Luciano não estava apenas elogiando um candidato; estava descrevendo um tipo de político que o Brasil produziu em série ao longo de sua história: aquele que “aglutina partidos antagônicos”, que “escuta os gestores municipais”, que vai “às últimas consequências” para liberar recursos. O porteiro-mor dos cofres federais que os prefeitos aprendem a conhecer pelo primeiro nome — e a respeitar com dois sobrenomes.

O argumento central do prefeito de Arapiraca merece atenção, porque é honesto na sua crueza: Alagoas, diante de suas carências, não pode “se dar ao luxo de colocar qualquer um” numa vaga de oito anos no Senado. É uma lógica pragmática que dispensa ideologia e programa. O estado precisa de alguém com experiência e com relações construídas — leia-se, com portas abertas em Brasília. Nesse raciocínio, a eleição não é exatamente uma escolha de projeto; é a renovação de um contrato de representação. Prático, funcional, e, convenhamos, perfeitamente compreensível para quem governa um município e sabe que os sonhos do seu povo têm CNPJ e número de empenho.

O que fica, depois que o palanque se desfaz e os discursos esfrinam, é a radiografia de uma política que se organiza menos em torno de ideias do que em torno de pessoas capazes de fazer o Estado chegar onde precisa chegar. Lira construiu essa reputação. Luciano Barbosa a celebrou. E Alagoas, como sempre, aguarda.

Imagem gerada por inteligência artificial.

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