Agosto chegou e Alagoas ainda não decidiu. Não é inércia — é prudência mal disfarçada de indefinição. Sessenta e cinco por cento dos eleitores que responderam à pesquisa Quaest disseram, com todas as letras, que ainda não escolheram seu candidato ao governo. Um número que, dependendo de quem o lê, é um convite ou uma sentença.
A corrida pelo Palácio tem o sabor das disputas que se resolvem na virada, quando o cansaço já tomou conta da arena e os candidatos mostram a fibra ou a falta dela. Renan Filho aparece dois pontos à frente de JHC no primeiro turno — diferença que, dentro da margem de erro, vale tanto quanto um empate verbal entre compadres. A vantagem do atual senador na familiaridade do eleitor — apenas 14% dizem não conhecê-lo, contra 24% que declaram ignorar JHC — pode ser tanto trunfo quanto armadilha: quem é conhecido demais também carrega o peso dos desafetos acumulados. A rejeição de Renan Filho, 31%, já supera a do adversário, 24%, numa diferença que o próprio instituto considera além da margem de erro. Conhecer é uma coisa. Gostar, outra.
No Senado, a cena tem o encanto irregular das disputas de três. Lira com 20%, Calheiros com 18%, e Marina JHC com 15% — todos encolhidos dentro daquela margem de três pontos que faz de qualquer número uma suposição elegante. O que a pesquisa anuncia, timidamente, é que a ex-primeira-dama de Maceió deixou de ser personagem coadjuvante para se tornar variável real no cálculo das cadeiras. A novidade não está no placar, mas na possibilidade: há uma terceira força onde antes havia apenas dois pesos pesados circulando em torno de si mesmos.
O analista criterioso — e todo analista se diz criterioso — lembrará que campanha que mal começou não se mede, se cheira. Os números de agora são esboço, não retrato acabado. O eleitor alagoano, que a pesquisa mostra disperso e ainda pouco engajado, tem até meados de outubro para concentrar sua vontade. Tempo mais do que suficiente para que tudo se confirme, tudo se inverta, ou — o mais provável — tudo se decida numa última quinzena de névoa e ruído. É nesse período final que os números, segundo as próprias empresas de pesquisa, deixam de ser fotografia e passam a ser espelho.




