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PSDB trava aliança em Alagoas e Lira soa o alarme para 2026

Arthur Lira escolheu um domingo ensolarado para dizer o que, nas traseiras da política, já se sabia há meses. A Federação União Progressista e o PL querem JHC no Governo de Alagoas em 2026. Simples assim — ou quase. Porque em Maceió, como em quase toda capital do interior do poder brasileiro, o simples costuma ter camadas, e as camadas costumam ter dentes.

O impasse, conforme o próprio Lira admitiu sem maiores cerimônias, está no PSDB. O partido quer governador. Quer também senador. Quer, em suma, tudo aquilo que se quer quando se tem pouco para oferecer e muito para pedir. É a velha aritmética das alianças: quem chega com menos barganha mais, porque tem menos a perder. Lira conhece essa equação de cor — e sabe que a paciência, na política, é uma virtude que tem prazo de validade.

“Não ficaremos à disposição”, avisou o deputado, com aquela cortesia que nos parlamentares veteranos funciona como luva de pelica sobre punho de ferro. A frase não é ameaça explícita. É algo mais sofisticado: é o sinal luminoso aceso na beira da estrada, indicando que a rodovia tem um limite e que, ultrapassado, o atalho some do mapa. Quem quiser entender, que entenda.

Enquanto arbitrava o xadrez alheio, Lira também tratou do próprio destino. Candidato ao Senado, quer, segundo ele mesmo, aproximar a representação alagoana da população. Nobre propósito. E sobre 2026 na esfera presidencial, garantiu que não é “homem de ficar em cima do muro”. Declaração que, neste estágio do calendário político, vale exatamente o que diz — e também tudo aquilo que deliberadamente deixa de dizer. O muro, afinal, só se abandona quando o terreno do outro lado já está suficientemente firme sob os pés.

O cenário que se desenha em Alagoas é o de sempre: uma negociação com muitos protagonistas, poucos espaços e nenhuma pressa real de se resolver antes que seja absolutamente necessário. Cada parte aguarda que a outra pise primeiro no campo minado. Lira pisou neste domingo — mas pisou com cuidado, com recado e com a experiência de quem sabe que, na política, os aliados de ontem são frequentemente o problema de amanhã.

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