Há eleições que se parecem com torneios de xadrez — muitas peças, muitos movimentos, a tensão da combinação imprevisível entre forças que se equilibram. E há eleições que se parecem com braço de ferro. Duas mãos postas sobre a mesa, os olhos nos olhos, e nada mais.
Alagoas, em 2024, é a segunda categoria.
Em 2022, o estado ainda oferecia ao eleitor uma certa variedade no cardápio. Além da disputa central entre Dantas e Paulo Dantas e o eterno Cunha, havia Collor — sim, aquele — e Rui Palmeira, nomes com peso próprio, capazes de fragmentar o voto e complicar as contas de qualquer estrategista. O primeiro turno daquele ano tinha a textura de uma boa intriga, com personagens suficientes para sustentar a trama até o fim.
Desta vez, a cena foi varrida. Márcio Jambo e Lenilda Luna, os dois candidatos que figuram fora do duelo principal, somam juntos menos de um e meio por cento nas pesquisas do Paraná Pesquisa — número que, na aritmética eleitoral, mal chega a ser ruído. Não são competidores; são, ao máximo, notas de rodapé numa disputa que já se escreveu com dois protagonistas antes mesmo de a urna abrir.
O que sobra, então, é a nudez do confronto direto. Renan Filho e João Henrique Calheiros, o JHC, frente a frente, sem a almofada de um terceiro nome forte para amortecer a pressão ou embaralhar as apostas. Quando o campo está tão desimpedido, cada ponto nas pesquisas pesa como ouro e cada erro ressoa como trovão em céu limpo. Não há margem para aguardar o segundo turno como um plano B, não há conforto na espera: o ringue é este, o momento é este.
Para os dois, é agora — ou é tarde.




