A reta final de uma eleição guarda sempre a mesma tentação: trazer para o palanque os pesos-pesados, acender os holofotes e apostar que a soma de forças produz inevitavelmente vitória. Alagoas, neste outubro, está farta dessa aritmética — e a disputa entre Renan Filho e JHC começa a revelar que os grandes trunfos também vêm com reverso.
Lula desembarca nos próximos dias para reforçar Renan Filho. Paulo Dantas já percorre prefeituras, abre inaugurações, conversa com vereadores e tece, tijolo a tijolo, a costura que a campanha precisa dentro de Maceió, praça onde JHC ainda guarda o grosso de sua força. Do outro lado, Arthur Lira — que conhece melhor do que ninguém a arte de aproximar pessoas que juravam não se falar — amplia presença nas agendas do candidato do PSDB e atrai prefeitos e deputados para sua órbita. Marx Beltrão surge como sinal de que a direita quer chegar às últimas semanas com estrutura montada e com vontade de transformá-la em votos.
O que se tem, portanto, é uma batalha de arquipélagos. De um lado, a constelação Lula-Dantas; do outro, a máquina que Lira construiu ao longo de uma vida inteira a presidir favores, negociações e compromissos no Congresso. Cada constelação brilha, cada uma projeta sombra.
Pois é justamente aí que o cálculo eleitoral começa a suar. Lula tem popularidade genuína em Alagoas — mas popularidade não é franquia ilimitada. Paulo Dantas mobiliza, inaugura, articula — mas governadores que entram com peso demais numa campanha às vezes emprestam junto a ela o próprio desgaste. E Arthur Lira, articulador de fibra, traz consigo tantos aliados quantos adversários acumulou numa trajetória que ninguém classifica de tímida. Cada cabo eleitoral poderoso é também um raio que pode cair sobre a própria trincheira.
A história da política brasileira está repleta de campanhas que morreram abraçadas a seu salvador. O reforço que chega com fanfarra pode transformar o pleito numa disputa sobre ele próprio — e não sobre o candidato. A questão que Alagoas responderá nas urnas não é apenas quem tem mais estrelas no palanque. É quem soube, na reta final, fazer com que cada estrela iluminasse sem ofuscar.




