Há uma arte antiga, tão velha quanto a política em si, que consiste em matar o mensageiro quando a mensagem não agrada. Não é heroísmo. Não é jornalismo. É apenas o velho reflexo do que teme ser contado.
O jornalista João Mendonça escolheu um stories — esse formato efêmero, feito para sumir em vinte e quatro horas, como convém às afirmações que não suportam o escrutínio da luz — para atacar a metodologia da Paraná Pesquisas. O alvo não é inocente: a mesma casa que apontou sete pontos percentuais de vantagem de JHC na corrida ao governo do estado acaba de divulgar seus números. E o timing do ataque, convenhamos, fala por si.
O problema para quem escolheu essa trincheira é que a Paraná Pesquisas carrega consigo um currículo que pesa. Em 2022, quando institutos de todo o país acertavam uns e erravam outros, quando as urnas fecharam e os resultados para presidente vieram à tona, foi ela — uma só — que saiu da noite com os números certos. Uma entre tantas. Esse é o tipo de feito que a realidade registra nos seus arquivos, indiferente ao que se posta nas redes.
Mentir sobre o passado para desacreditar o presente é uma aposta de alto risco quando o passado está documentado. Exige que o público tenha memória curta e verificação mais curta ainda. É uma equação que, às vezes, funciona no calor do ciclo de notícias — mas raramente sobrevive à semana.
O que fica, no final, não é a nota no stories. É a pesquisa. E é o rastro de quem preferiu atacá-la a refutá-la com argumento.




