Contrato firmado com a BRK prevê R$ 2,6 bilhões em investimentos e universalização do abastecimento na Região Metropolitana de Maceió, mas moradores ainda enfrentam interrupções e cobram melhorias no serviço
O prazo venceu. Há seis anos, em 30 de setembro de 2020, a BRK Ambiental arrematou na Bolsa de Valores, em São Paulo, o direito de cuidar da água e do esgoto de 1,5 milhão de pessoas em 13 municípios da Região Metropolitana de Maceió. O lance de R$ 2 bilhões superou em mais de 13 mil por cento o valor mínimo previsto no edital. Junto com o dinheiro vieram as promessas: água para todos em seis anos, esgoto para 90% da população até o 16º ano de contrato e R$ 2,6 bilhões em investimentos, sendo R$ 2 bilhões já nos primeiros seis anos.
O calendário chegou. A promessa, não. Quando o martelo foi batido, cerca de 89% dos moradores da região tinham acesso à água e apenas 27% contavam com esgotamento sanitário. De toda a água produzida, 59% se perdia no caminho, em vazamentos e ligações irregulares, antes de chegar à casa de alguém. Enfrentar esse cenário era a razão de ser da concessão.
No meio do caminho, o contrato mudou. Em fevereiro de 2024, a BRK assinou termos aditivos da concessão. Segundo comunicado da própria companhia ao mercado, as mudanças alteraram a curva de universalização do esgoto e previram recomposição das tarifas. Com isso, a universalização da água, antes prevista para 2026, passou para 2027. O esgoto para 90% da população ficou para 2037. E a meta de perdas, que no leilão era de no máximo 20%, virou 25% até 2041.
“6 anos atrás, no dia 30 de setembro de 2020, Renanzinho vendia a água dos alagoanos. No mesmo dia, ele prometeu que a conta não ia aumentar. Prometeu que Alagoas ia ter água na torneira e saneamento para todos. Nada disso aconteceu. São 6 anos de sofrimento. Chega dessa história. Pra mudar é 45”, destacou o candidato ao governo de Alagoas (PSDB), que é líder nas pesquisas.
Na prática, quem espera água na torneira ganhou mais um ano de espera. E a régua do desperdício ficou mais baixa. Relatório de crédito da agência Moody’s, publicado em outubro de 2025, mostra que em 2024 a cobertura de água na área da concessão era de 85% e a de esgoto, de 25%. O índice de perdas estava em 56%, ainda muito distante da meta. No papel, a cobertura de esgoto registrada em 2024 é menor que os 27% anunciados no dia do leilão.
Seis anos e uma pergunta: o contrato vale por 35 anos, e a concessionária ainda tem tempo para cumprir o que assinou. Mas o aniversário de hoje marca o fim do prazo que foi vendido à população em 2020. A pergunta agora não é mais o que foi prometido. É por que a água que deveria chegar a todos até 2026 ainda não chegou, quem autorizou mudar o combinado e quanto isso está custando no bolso de quem paga a conta.




