A transição de governo tem uma liturgia própria, quase litúrgica no sentido estrito: há ritos, há fórmulas, há gestos que precisam ser cumpridos independentemente de quanto os atores se suportem. Paulo Dantas e JHC chegaram ao momento de dividir o mesmo palco — não pela afinidade, mas pela inevitabilidade do calendário.
O governador nomeou sua comissão. Renata Santos, Vitor Pereira e Felipe Cordeiro, todos secretários, são os escolhidos para carregar as pastas, os números e as omissões de uma gestão ao encontro da seguinte. São eles o elo — frágil ou não, o tempo dirá — entre o que se foi e o que vem aí.
Do lado de JHC, silêncio. Os nomes de sua comissão ainda não foram ao público. É possível que isso seja estratégia; é possível que seja simples demora. Em política, nem sempre se distingue uma coisa da outra.
Enquanto isso, o governo Dantas avisa que já move a papelada interna, levantando documentos, cumprindo “os procedimentos de praxe” — expressão que, no vocabulário das gestões em final de mandato, pode significar tanto a devida diligência quanto a curadoria seletiva da memória.




