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Saúde, poder e silêncio: o incômodo caso Gustavo Pontes no núcleo governista

O secretário Gustavo Pontes de Miranda tornou-se presença constante nas agendas da Saúde pelo interior de Alagoas, inclusive em Murici, município historicamente ligado à família Calheiros. A movimentação pública ocorre em meio ao desgaste provocado por investigações e ao retorno acelerado do auxiliar ao cargo após afastamento determinado pela Justiça.

Nos bastidores do grupo ligado ao MDB, a recondução do secretário tem gerado desconforto e críticas reservadas. Aliados admitem incômodo com a forma como o episódio foi conduzido, mas, até agora, sem qualquer efeito prático. O tema circula em conversas internas, porém longe dos microfones.

Embora Renan Calheiros e Renan Filho não possam ser responsabilizados por atos administrativos da gestão Paulo Dantas e de seu núcleo político, o caso os alcança politicamente. Em estruturas de poder compartilhado, o desgaste raramente fica restrito a um único gabinete.

Também não se espera manifestação pública dos principais líderes do grupo condenando o retorno triunfal de um secretário ainda sob investigação. O silêncio, nesse contexto, funciona como estratégia: evita fissuras internas, mas amplia questionamentos externos.

Gustavo Pontes de Miranda tem o direito de provar total inocência diante das acusações apuradas pela Polícia Federal, que investigam suposto desvio de cerca de R$ 100 milhões. Mas o processo tende a percorrer um caminho longo, com etapas judiciais e possíveis desdobramentos políticos.

Até lá, permanece a pergunta que incomoda parte da base governista: por que tanta pressa em recolocar no centro da gestão alguém ainda cercado por suspeitas?

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