A ex-prefeita Kátia Born passou a enfrentar questionamentos após utilizar um grupo institucional do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) em Alagoas para divulgar uma pesquisa política sem registro oficial.
A mensagem compartilhada trazia números de intenção de voto para cargos como Governo do Estado e Senado, atribuídos a um suposto levantamento sem qualquer comprovação de cadastro nos órgãos competentes, requisito indispensável para a divulgação regular desse tipo de conteúdo em período pré-eleitoral.
O material circulou em um canal destinado à comunicação entre secretarias, conselhos e órgãos públicos ligados à política de segurança alimentar, o que ampliou a repercussão nos bastidores. Integrantes do sistema passaram a questionar o uso de uma ferramenta institucional para disseminação de conteúdo de natureza política.
Nos meios políticos, o episódio foi interpretado como mais um sinal da antecipação da disputa de 2026, agora marcada também pela circulação de pesquisas sem origem clara e sem transparência metodológica.
Especialistas ouvidos reservadamente apontam que o uso de estruturas públicas para impulsionar mensagens eleitorais pode gerar questionamentos jurídicos e administrativos, sobretudo quando envolve canais oficiais mantidos pelo poder público.
Além da ausência de registro, outro ponto levantado é a falta de informações básicas sobre amostragem, contratante, período de coleta e margem de erro — dados essenciais para aferir a credibilidade de qualquer levantamento.
O caso expõe uma zona cinzenta entre articulação política e uso indevido de espaços institucionais, tema que tende a ganhar relevância à medida que o calendário eleitoral se aproxima.




