Um ofício assinado pelo secretário estadual de Saúde de Alagoas, Gustavo Pontes, coloca mais um elemento sensível no centro da Operação Estágio IV, deflagrada pela Polícia Federal no estado. O documento, produzido durante sua gestão à frente da SESAU, trata do credenciamento e da ampliação do Hospital NOT na rede pública estadual — a mesma unidade citada nas investigações federais que apuram supostas irregularidades milionárias em contratos da saúde pública.
Até agora, o ofício não comprova qualquer ilegalidade por parte do secretário ou do hospital. Mas sua existência já é suficiente para movimentar os bastidores da política alagoana. O documento conecta, ao menos formalmente, um nome do alto escalão do governo estadual a uma instituição que está no radar da PF — e isso, no mundo político, tem peso próprio.
A operação, que investiga contratos suspeitos na saúde pública, já pressionava o grupo governista. Com a revelação do ofício, a pressão aumenta. Nos bastidores, aliados e adversários do grupo político que controla o estado já fazem cálculos sobre os desdobramentos.
O episódio tem tudo para se tornar munição eleitoral em 2026. Opositores devem utilizar o caso para tentar desgastar o governador Paulo Dantas e o ex-governador Renan Filho, ambos do MDB, vinculando seus nomes ao debate sobre a gestão da saúde pública em Alagoas. Para o campo governista, o desafio agora é conter os danos antes que a narrativa se consolide — dentro e fora das urnas.




