Os bastidores da eleição de 2026 em Alagoas revelam cifras tão altas que até veteranos da política admitem dificuldade para acreditar. O alerta veio de três experientes dirigentes partidários, que relataram os custos já projetados para campanhas em andamento no estado.
A comparação mais recorrente é com a histórica disputa milionária travada pelo empresário João Lyra em 2006. O que parecia extravagante à época hoje seria considerado modesto diante dos números que circulam nos bastidores.
Segundo relatos obtidos por interlocutores políticos, um suplente de vereador em Maceió com capacidade de entregar cerca de 250 votos — e garantir o chamado “direito de preferência” no apoio eleitoral — poderia receber algo próximo de R$ 300 mil, fora despesas operacionais. Na capital, estruturas capazes de agregar aproximadamente 3 mil votos chegariam ao patamar de R$ 1 milhão.
As projeções escalam rapidamente. Uma campanha competitiva para deputado estadual estaria sendo calculada em torno de R$ 30 milhões. Para deputado federal, os custos poderiam alcançar R$ 50 milhões — especialmente em disputas envolvendo parlamentares que já chegam fortalecidos pelo uso de emendas de relator, emendas PIX, emendas de bancada, obras e máquinas públicas espalhadas pelo interior.
A corrida ao Senado apareceria em outro patamar: até R$ 500 milhões. Já uma campanha ao Governo de Alagoas poderia atingir cifras consideradas estratosféricas, próximas de R$ 800 milhões.
Os interlocutores afirmam que os valores envolveriam uma mistura de recursos públicos, privados, próprios e até verbas sem rastreabilidade clara. O cenário ajuda a explicar o peso crescente do dinheiro público no jogo político.
Hoje, o fundo eleitoral soma cerca de R$ 4,9 bilhões. O fundo partidário ultrapassa R$ 1,4 bilhão. Paralelamente, o orçamento destinado às emendas parlamentares de deputados e senadores alcança R$ 61 bilhões — sendo R$ 37 bilhões de execução obrigatória.
Nesse contexto, a ação promovida pelo senador Renan Calheiros e pelo governador Paulo Dantas em Rio Largo, com a distribuição de 50 PIX de R$ 200 para mulheres durante um evento público, passa a parecer simbólica diante do volume bilionário que movimenta os bastidores da disputa.
Os números impressionam, assustam e ajudam a entender por que os cofres de municípios, estados e da União se tornaram peças centrais da guerra política eleitoral.




