Há uma solidão que é fraqueza, e há uma solidão que é cálculo. Saber distinguir uma da outra é o que separa o político amador do operador experiente. No caso de JHC, tudo indica que estamos diante da segunda espécie — aquela solidão que não é abandono, mas estratégia; não é isolamento, mas posicionamento.
Ele transita. Percorre os redutos conquistados e os que ainda pretende conquistar, sem a comitiva de aliados que, em eleições passadas, costumava funcionar como peso morto disfarçado de apoio. Quem já viu essa dança sabe: aliado de primeira hora, em certos contextos, é sinônimo de conta a pagar depois. E JHC, ao que parece, tem feito a aritmética com cuidado.
Não se trata de fechar portas. Os nomes de peso que orbitam ao redor da sua candidatura ainda existem, ainda esperam, ainda calculam o próprio interesse. Ele os conhece, eles o conhecem. O que está em suspensão é apenas o momento do abraço público — aquele gesto que, no calendário eleitoral, tem preço e tem hora certa.
O busílis, para usar um termo que a situação merece, é este: cada aliança carrega consigo um eleitorado que vem junto e outro que vai embora. JHC aposta que, por ora, a conta não fecha a seu favor. Que o desgaste de certas companhias supera o ganho. Que o carisma próprio, cultivado nas ruas e nos redutos, aguenta o peso de um trecho da corrida sem escolta.
A questão é até quando. A convenção, aquele ritual de formalização que o calendário eleitoral impõe, costuma encerrar o tempo das solidões estratégicas. É quando os cálculos viram contratos, os abraços viram fotos e as portas entreabertas precisam, afinal, ser escancaradas ou fechadas de vez. Até lá, JHC segue o seu caminho — deliberadamente só, mas de olho na plateia.




