Maceió []
Min: Max:
Pesquisar

84% e sem trincheiras

Há números que falam mais alto do que qualquer palanque. Oitenta e quatro por cento. Repita em voz alta, devagar, e deixe o dado assentar. Em política, aprovação assim não é estatística — é fenômeno. É o tipo de cifra que faz adversários procurarem o silêncio e aliados correrem para o abraço.

Maceió, que já foi palco de tantas guerras de facções, de fraturas entre esquerda e direita, de disputas que dividiam famílias ao meio, assiste agora a algo incomum no calendário político brasileiro: um prefeito que conseguiu o prodígio raro de unir o que costuma estar em campos opostos. Não por acaso, não por sorte de ocasião — mas, ao que indicam os bastidores, por uma gestão que parece ter convencido até os desconfiados de ofício.

O curioso é que a política contemporânea se especializou em radicalizar divergências, em transformar cada esquina numa trincheira. Quando alguém fura essa lógica e arrasta para o mesmo lado gente de credos opostos, o mínimo que se pode dizer é que algo de diferente aconteceu ali. Se é mérito puro, se é conjuntura favorável, se é o efeito de uma cidade que simplesmente se cansou de brigar — o tempo, árbitro severo, se encarregará de esclarecer. Por ora, os números estão postos. E números, diga-se, não pedem licença.

Que o Prefeito Rodrigo Cunha tenha sido o porta-voz desse reconhecimento não é detalhe menor. Em política, elogiar quem governa bem nem sempre é obrigação — é, muitas vezes, um risco calculado. Ora, pois, quando o elogio vem e vem acompanhado de 84%, o que resta ao observador é tirar o chapéu e anotar na caderneta.

* * *

Farpa “Todo povo de Maceió você conseguiu unir. De esquerda, de direita, mas são aqueles que querem uma política de verdade.” Rodrigo Cunha, sobre JHC.

Não ofende Com 84% de aprovação, ainda sobra alguém na cidade que não foi convencido — ou falta ainda alguma obra para terminar?

VEJA TAMBÉM