A bomba foi lançada nas redes sociais. A senadora Eudócia Caldas usou uma reportagem do portal UOL — que revela documentos apontando que os riscos de afundamento do solo em Maceió, causados pela mineração de sal-gema, já circulavam nos bastidores desde 1988 — para fazer a acusação mais direta que já dirigiu publicamente a Renan Calheiros.
O argumento da parlamentar é cronológico e tem peso. Renan presidiu a antiga Salgema na década de 1990. Nessa posição, segundo Eudócia, ele tinha acesso privilegiado aos estudos técnicos e laudos que já desenhavam a tragédia. Os documentos trazidos à tona pelo UOL, na leitura da senadora, não fazem mais que confirmar o que ela já vinha denunciando: os alertas existiam, eram conhecidos, e foram ignorados.
“Sócio da tragédia” — foi com essa expressão que Eudócia carimbou o colega de bancada. Sem meias palavras, ela o acusou de omissão deliberada diante de uma catástrofe que desalojou e destruiu a vida de milhares de moradores da capital alagoana. O vídeo, nas palavras da própria senadora, “bota lenha na fogueira” e reforça todas as críticas que ela já acumulava contra a Braskem e os responsáveis pelo desastre.
O silêncio de Renan é, por si só, um dado político. Até o fechamento desta matéria, o senador emedebista não se pronunciou sobre as acusações. A ausência de resposta, num episódio dessa magnitude, deixa o campo aberto para que a narrativa de Eudócia siga ganhando terreno sem contestação.
A pergunta que fica suspensa sobre Brasília é inevitável: se os laudos sobre os riscos em Maceió datam de 1988 e Renan comandou a empresa mineradora nos anos 1990, o que foi feito — ou deliberadamente não feito — com esse conhecimento nas décadas seguintes? São duas décadas de silêncio que, agora, pedem explicação. Como diz o matuto: aguardemos as cartas.




