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O dono provisório do jogo

Cinquenta e um por cento. O número circula pelos bastidores de Alagoas com a leveza de quem carrega uma pedra. Para os adversários de JHC, é um peso. Para o ex-prefeito de Maceió, é uma promessa — daquelas que a política tem o hábito de não cumprir, mas que, por ora, serve muito bem ao propósito de organizar uma candidatura ao governo estadual.

A pesquisa do instituto TDL Pesquisa & Estratégia está registrada, autorizada, metodologicamente apresentável à Justiça Eleitoral. Detalhe que merece sublinhado neste momento, porque o ambiente alagoano de véspera de eleição já produziu levantamentos de vida curta e utilidade duvidosa — os institutos Falpe e Vox Brasil não chegaram sequer a publicar números válidos, derrubados por decisão judicial antes que a tinta secasse. Pesquisa suspensa não é pesquisa: é ruído com logotipo.

Há uma ironia silenciosa nisso tudo. Num estado onde parte dos atores políticos ainda trata o processo eleitoral como território de manobra privada, a exigência técnica da Justiça funciona como um filtro involuntário de seriedade. Quem não cumpre os critérios — metodologia clara, registro oficial, transparência na divulgação — simplesmente some do tabuleiro antes de jogar. E o campo fica, por eliminação, para quem obedeceu às regras.

JHC lidera, portanto, uma disputa que ainda não começou de verdade. Os partidos não fecharam suas apostas, as alianças não foram sacramentadas, e os nomes que poderiam reorganizar o mapa de intenções seguem em compasso de espera. Uma pesquisa de 2025 para uma eleição de 2026 é, no fundo, um retrato da névoa — capta o que existe antes que o jogo se defina. Mas já diz alguma coisa: diz que, no momento, não há candidato com força suficiente para empurrar o ex-prefeito para o segundo turno.

O cenário muda. Sempre muda. A política alagoana tem o vício histórico de surpreender os mais seguros e consolar os mais resignados. Por enquanto, porém, os números pertencem a JHC — e a quem souber lê-los com a devida cautela, sem tomar a sombra pela árvore nem o primeiro turno como certidão de nascimento de um governador.

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