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A sombra que governa

Há uma velha sabedoria das campanhas que os inexperientes teimam em não aprender: o segundo lugar na chapa não é acessório de vitrine. É, não raro, a peça que decide o jogo. E em Alagoas, enquanto os holofotes se derramam sobre os possíveis candidatos ao Governo — com toda a pompa e o ruído que o protagonismo exige —, é nas sombras que a disputa mais consequente já começou.

A batalha pelo posto de vice-governador raramente recebe a atenção que merece. Tem algo de bastidor na sua natureza, uma discrição quase elegante que engana os desavisados. Mas os que conhecem o jogo por dentro sabem que a escolha do segundo nome numa chapa é, muitas vezes, o primeiro ato real da campanha. É ali que se constroem pontes para o interior, que se acenam aos setores econômicos enciumados, que se compra a paz de partidos que, sem contrapartida, preferem o campo aberto ao abraço apertado de uma aliança.

Ora, pois. As lideranças alagoanas já iniciaram suas articulações com a desenvoltura de quem não quer ser visto, mas tampouco quer perder o lugar. Em algumas siglas, diga-se, a disputa interna pelo espaço já provoca desconforto e divergências — aquele tipo de atrito que não aparece nas declarações públicas, mas que se sente no aperto de mão mais frio, no telefonema que demora a ser devolvido, no elogio que soa oco demais para ser sincero.

A avaliação que circula nos corredores é precisa: o vice pode valer mais do que muitos imaginam. Não apenas como adorno institucional ou como cortesia aos aliados menores, mas como fator real de reconfiguração da corrida eleitoral. Um nome capaz de atrair apoios que o cabeça de chapa sozinho jamais alcançaria. Um nome que equilibra o que o outro desequilibra. Maquiavel, que entendia de príncipes e de suas dependências ocultas, não teria estranhado o cenário: o poder raramente se completa em figura única, e quem subestima o segundo ato costuma não ver o terceiro.

A pré-campanha alagoana, portanto, tem dois movimentos simultâneos: o visível, ruidoso e fotogênico, dos que disputam o topo; e o invisível, silencioso e decisivo, dos que disputam a sombra estratégica ao lado. Esta última batalha, ao que tudo indica, já é uma das mais acirradas da temporada. E, como em toda boa disputa de bastidor, os seus verdadeiros resultados só aparecerão quando as cortinas, enfim, se abrirem.

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