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O preço da demora: cada semana sem nomes fortalece o candidato e enfraquece o MDB

Há um tipo de angústia que só quem frequenta os bastidores conhece bem. Não é o pânico declarado, aquele que se anuncia com gritos e gestos largos. É a angústia silenciosa, de reunião em voz baixa, de olhar que pergunta sem abrir a boca. É exatamente esse o clima que paira sobre as lideranças do MDB neste momento, enquanto o relógio eleitoral avança com a indiferença costumeira dos relógios.

Montar uma chapa competitiva de deputado federal é, para qualquer partido, um exercício que combora paciência de artesão com nervo de jogador de pôquer. Para o MDB de agora, a equação tem um componente a mais: a escassez de nomes. Não faltam conversas — essas, ao que se sabe, correm soltas pelos corredores, chegam a gabinetes de prefeitos, batem à porta de lideranças regionais. O que falta é a conversão. A diferença entre o pretendente e o candidato é a mesma que existe entre a promessa e o ato — e essa travessia, no jogo político, costuma ser mais longa do que parece no mapa.

Os dirigentes seguem em movimento, e isso merece registro. Articular em tempo de incerteza exige mais do que disposição: exige a capacidade de convencer quem ainda não se convenceu, de atrair quem prefere aguardar, de segurar quem já pensa em ir embora. É diplomacia de corredor, discreta e ininterrupta, longe dos holofotes que a política moderna tanto aprecia.

A pergunta que circula — se o MDB conseguirá fechar uma chapa forte a tempo — não é retórica. É genuína. E o fato de ela circular, de ser sussurrada nos corredores com ar de dúvida legítima, já diz muito sobre o estágio em que se encontra o processo. Partidos que dominam a montagem da chapa antes do prazo não fazem perguntas assim. Fazem anúncios.

O tempo, nessas circunstâncias, não é aliado neutro. Ele pressiona, afunila, reduz as margens de manobra e, invariavelmente, eleva o preço das adesões. Cada semana que passa sem um nome confirmado é uma semana em que o candidato potencial ganha poder de barganha e o partido perde gordura para negociar. As próximas semanas, portanto, serão decisivas — não pela grandiosidade dos eventos, mas pela qualidade das escolhas que serão feitas, ou deixadas de fazer.

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