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Lira, Gaspar e Davino brigam por duas cadeiras — e a matemática não tem piedade

Há eleições em que a escassez de nomes viáveis é o principal drama. Candidatos se multiplicam não por vocação ou projeto, mas para preencher o vazio deixado pela mediocridade do campo. Alagas — e aqui nos referimos à sua classe política com a crueza que o momento exige — conhece bem esse padrão: a pobreza de escolhas disfaçada de pluralismo.

Desta vez, porém, o cenário é outro. E isso, por si só, já merece registro.

Do lado do governo, a equação é simples e arrumada: um candidato, Renan Calheiros pai, com Zé Wanderley atuando como escudeiro leal, sem a ambição de protagonismo que costuma embaraçar as alianças. A coesão tem um nome antigo e conhecido, e o bloco sabe o que quer. Há uma certa elegância no pragmatismo quando ele é honesto consigo mesmo.

A oposição, por sua vez, chegou ao campo com três espadas em punho — Arthur Lira, Alfredo Gaspar e Davi Davino — cada qual com seu eleitorado, sua narrativa, sua legitimidade. Lira vai aos redutos, busca o voto fidelizado, o que lhe pertence por construção de anos. Gaspar e Davino disputam a capital e o eleitorado espontâneo, esse volátil e sedutor que não jura bandeira a ninguém. São percursos distintos, mas o destino é o mesmo: duas cadeiras, três pretendentes com chances reais. A matemática, já se sabe, não tem piedade.

E é justamente aí que reside a novidade histórica desta disputa. Nunca, nos registros recentes desta política, tantos postulantes com viabilidade concreta se apresentaram ao mesmo tempo para a mesma batalha. É quase uma abundância, esse luxo raro num estado acostumado à estreiteza das escolhas. Mas abundância não resolve o problema de quem sobra. Pelo menos um deles — talvez dois — vai encarar o resultado com o amargor de quem jogou bem e mesmo assim perdeu. Na política, como na vida, há derrotas que não ensinam nada novo. Apenas doem.

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