O material é escasso, mas a pergunta contida nele diz mais do que aparenta. Por que Renan Filho é o candidato a governador de Marcelo Victor? A resposta curta seria: porque a política, em Alagoas como em toda parte, raramente é o que parece ser na superfície. A resposta longa exige que se entenda a gramática dos acordos que ninguém assina.
Marcelo Victor não escolhe Renan Filho por acidente nem por afeição. Nenhum político de peso faz esse tipo de movimento por simpatia pessoal. Quem embarca num candidato embarca numa equação — de poder, de sobrevivência, de posicionamento para o que vem a seguir. O apoio é sempre uma moeda, e a questão de fundo nunca é o candidato em si, mas o preço da transação e quem fica com o troco.
Há, nessa construção, uma lógica de que Maquiavel teria aprovado cada peça: o mais fraco se une ao mais forte não para servi-lo, mas para utilizar sua sombra como abrigo temporário. Victor não está se curvando a Renan Filho. Está fazendo o que todo articulador experiente faz quando a correlação de forças está clara demais para ser ignorada — inclina o corpo na direção do vento e chama isso de convicção.
Renan Filho, por sua vez, ganha o que todo candidato precisa antes de precisar de votos: a narrativa de que já está sendo escolhido, de que os acordos vão se fechando, de que o caminho se pavimenta. A política alagoana conhece bem esse ritual. O anúncio do apoio antecede as eleições tanto quanto o trovão antecede a chuva — é o aviso de que algo vem por aí, e que quem ainda hesita deveria se decidir logo.
A pergunta do título, portanto, contém sua própria resposta. Marcelo Victor não escolheu Renan Filho apesar do jogo — escolheu por causa dele.




