Há males que vêm para aborrecer e há males que vêm para revelar. O que se passa com as pesquisas eleitorais em Alagoas parece pertencer, com distinção, à segunda categoria.
A TDL Pesquisas rompeu o silêncio. O CEO Tadeu Lira veio a público pela primeira vez tratar das sucessivas contestações judiciais que o instituto vem enfrentando no estado — três impugnações apenas sobre a pesquisa mais recente, sendo dois pedidos já indeferidos pelo Tribunal e um terceiro pendurado numa suposta irregularidade formal de contrato. Nada de vício metodológico. Nada de inconsistência estatística. Os dados, segundo Lira, permanecem validados. O que sobra, então, quando se esvazia o argumento técnico? Sobra o que sempre sobra quando a substância falta: o ataque pessoal, a fofoca travestida de denúncia, o ruído ensurdecedor que busca ocupar o espaço da razão.
Lira disse querer que o debate se voltasse à qualidade estatística dos levantamentos, à modelagem, ao trabalho real. Pedido legítimo. Pedido ingênuo. Em política eleitoral, o debate raramente vai onde a técnica mora — vai onde a conveniência manda. E conveniência, como se sabe, tem endereço certo: o do candidato que a pesquisa desagrada.
O fenômeno não é exclusivo de Alagoas, mas em Alagoas ele ganhou contornos de método. O próprio Lira observou que um mesmo partido chegou a contestar pesquisas de diferentes institutos no estado. Não é paranoia: é padrão. É a velha estratégia de tornar o mensageiro suspeito quando a mensagem é inconveniente. Matar a fonte para não beber da água.
O que está em jogo não é a sobrevivência de um instituto de pesquisa. É algo mais delicado e mais caro: o direito do eleitor alagoano de acompanhar o cenário eleitoral com alguma bússola em mãos. Quando se judicializa a pesquisa sem fundamento técnico, não se ataca a empresa — ataca-se a informação. E sem informação, o eleitor navega às cegas, exatamente onde certos interesses preferem que ele esteja.
Silêncio calculado foi a resposta da TDL por semanas. Estratégia defensável. Mas há momentos em que o silêncio começa a ser lido como consentimento. Lira entendeu a hora. Falou. Agora que os fatos estejam no ar — e que a Justiça Eleitoral faça o seu trabalho com a mesma serenidade que deveria presidir qualquer disputa onde os números são o único argumento honesto que resta.




