A postagem veio embrulhada em caixa alta e seguida de ponto de exclamação, como convém a quem quer que o eleitorado sinta o cheiro da promessa antes mesmo de ler o que está escrito. João Henrique Caldas, o JHC, anunciou nas redes sociais que está “pronto para ser técnico de Alagoas” — e a metáfora futebolística, claro, não é inocente. Num país onde o técnico da seleção mobiliza mais paixão do que o chefe de governo, declarar-se um desses é, convenhamos, a forma mais econômica de construir uma candidatura.
O recado tem sua lógica. JHC faz questão de amarrar o destino do estado ao que chama de feito em Maceió: crescer “que nem Maceió fez nos últimos anos”. A comparação é o coração do argumento — e será também o campo onde a oposição virá jogar. Afinal, todo prefeito que sobe de escala precisa provar que o que funcionou numa capital funciona no jogo mais longo e mais rude de um estado inteiro.
Há algo de astuto, porém, na ressalva que ele mesmo faz antes de cruzar a fronteira municipal: “Eu não sou técnico da seleção brasileira.” A humildade estratégica aparece para blindar o flanco mais exposto. Não promete o impossível; promete o plausível. É o tipo de cálculo que Maquiavel descreveria como prudência, e que marqueteiro nenhum cobraria barato.
O problema, como sempre na política alagoana, é que entre o post e o palanque há um trajeto que costuma exigir mais do que boa vontade e boas fotos. O plano existe — ele garante que existe. O eleitor, veterano que é em promessas de refundação, aguarda. Com calma, como a caixa alta sugere. Mas aguarda.
O post JHC publicou nas redes sociais que está “pronto para ser técnico de Alagoas”, prometendo transformar o estado como, segundo ele, transformou Maceió nos últimos anos. A frase veio precedida de “ELE TEM UM PLANO!” — em maiúsculas, caso alguém duvidasse da seriedade do aviso.
O modelo A comparação com Maceió é a espinha dorsal do discurso do prefeito. Funciona como carta de apresentação e, simultaneamente, como aposta: quem questionar a candidatura terá de começar questionando a gestão municipal — e é exatamente esse o terreno que JHC escolheu para o confronto.
Não ofende Entre o técnico que tem um plano e o estado que precisa de um, quem deveria estar com mais pressa?




