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Nem certo nem descartado: o jogo aberto de JHC na escolha do vice

Em política, o suspense raramente é inocente. Quase sempre é instrumento. Serve para manter candidatos na linha, partidos atentos e jornalistas ocupados enquanto os que decidem de fato tomam o café da manhã em paz, longe das câmeras.

A vaga de vice na chapa de JHC segue nesse compasso — esse andante preguiçoso e calculado que os articuladores experientes conhecem de cor. O vice-governador Ronaldo Lessa aparece como favorito, o que já diz alguma coisa: quem é anunciado como certo antes da hora raramente o é. A política tem o costume ruim de devorar as certezas com apetite.

O PSDB, fiel à sua tradição de nunca fechar uma porta enquanto houver outra para abrir, mantém outras opções sobre a mesa. Entre elas, Célia Rocha, ex-prefeita de Arapiraca, que carrega consigo a representatividade do Agreste — esse interior profundo que as chapas costumam lembrar nas horas de votar e esquecer nas horas de governar. Ela está no radar, expressão que em bastidores significa: está viva, mas ainda não garantida.

Enquanto a convenção não chega, o suspense governa sozinho. E não é pouca coisa. O suspense disciplina aliados, afasta adversários prematuros e confere ao candidato principal aquela aura de quem decide sem pressa — mesmo quando a pressa já começa a rosnar nos bastidores. JHC, por ora, deixa o jogo aberto. Pode ser sabedoria. Pode ser indefinição travestida de estratégia. O tempo, árbitro implacável que é, já tratará de distinguir uma coisa da outra.

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