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JHC e Renan Filho: o duelo que pode redesenhar Alagoas por décadas

Há momentos em que a história de um estado para, respira fundo e decide que chegou a hora de se refazer. Alagoas parece viver um desses momentos — raro, tenso, daqueles que os velhos memorialistas guardam para o capítulo mais encorpado do livro.

O duelo entre JHC e Renan Filho já circula nos bastidores com a gravidade de quem sabe o que está em jogo. Comparam com João Lyra e Teotônio Vilela, e a comparação não é frívola. Quando o nome de Teotônio entra na conversa, é porque se fala de algo maior do que uma disputa de mandato — fala-se de um tempo que pode virar página, ou de um tempo que se recusa a virar.

De um lado, a força de quem construiu uma liderança nova sobre o território alagoano, apostando que a novidade tem músculo suficiente para sustentar o peso do poder. Do outro, a continuidade de um dos grupos mais enraizados na história política do estado — desses que sobreviveram a tantos temporais que aprenderam a confundir a própria permanência com legitimidade. Não é pouca coisa. Resistência e inovação raramente combinam bem na mesma frase, mas às vezes são obrigadas a se medir na mesma urna.

O que os bastidores sussurram com mais insistência é que Alagoas inteira será mobilizada — cada município, cada reduto, cada lealdade antiga posta à prova. E que o resultado desta disputa não vai simplesmente eleger um governador: vai redesenhar, por anos, quem manda, quem negocia e quem sobrevive no xadrez político do estado. Eleições assim não acontecem toda geração. Quando acontecem, ninguém sai inteiro do outro lado.

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