Há convenções que decidem. E há convenções que, com toda a solenidade de um cartório, decidem não decidir — e chamam isso de unanimidade.
A Federação PSDB/Cidadania de Alagoas reuniu seus convencionais na última quarta-feira, aprovou atas, bateu palmas, e saiu de lá exatamente como entrou: sem candidato ao governo, sem nome para o Senado, sem nada que pudesse constranger o futuro ou, pior, amarrar o presente. Uma convenção de portas abertas para todos os lados — exceto para a clareza.
O que o documento aprovado faz, com a elegância burocrática de quem conhece bem os atalhos do calendário eleitoral, é transferir à Comissão Executiva da federação a tarefa que uma convenção existe para cumprir. Governador, vice, senadores — tudo fica para depois, tudo fica nas mãos da direção, tudo fica sob o guarda-chuva concentrador de João Henrique Holanda Caldas, o JHC, a quem a ata delega poderes para decidir e registrar candidaturas a cargos que vão do Executivo estadual às cadeiras da Assembleia. Um homem só carregando na pasta todas as fichas do jogo.
Há um nome respeitável para essa arquitetura: centralização. Há um nome mais honesto: controle. A federação reservou a si mesma o direito de incluir ou excluir partidos da coligação, substituir candidatos, remodelar a chapa — enfim, a liberdade total de um estado-maior que não presta contas a tropa nenhuma até que o prazo eleitoral bata na porta. Na disputa proporcional, ao menos, dois nomes aparecem com número na urna: Eduardo Canuto, pelo 4500, e Marina JHC, pelo 4545. Esses, ao menos, já existem no papel.
O resto é promessa de deliberação futura. Em política, já ensinava a experiência dos séculos, quem controla o momento da escolha controla a escolha. A convenção de quarta-feira não foi uma assembleia — foi uma procuração.




