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As cartas viradas de JHC

Há uma arte antiga, cultivada pelos grandes jogadores, que consiste em fazer do silêncio uma arma mais poderosa que qualquer discurso. Júlio Husseim Campos domina essa arte com uma fluência que desconcerta, enerva e, nos adversários mais frágeis, produz algo próximo do delírio.

Alagoas vive, neste momento, uma curiosa suspensão da realidade eleitoral. O cenário à sua volta ferve de especulação — Senado ou Governo?, perguntam os ansiosos —, mas o homem no centro do enredo permanece como aquele personagem de romance que aparece em todas as cenas sem jamais revelar suas intenções. A indefinição, aqui, não é ausência de estratégia. É a própria estratégia.

Os adversários, é preciso reconhecer, chegaram a um estado de angústia admirável. Interpretam gestos, vasculham silêncios, constroem arquiteturas de sentido sobre nenhuma palavra dita. Tornam-se, sem perceber, jogadores de um jogo cujas regras só um dos lados conhece inteiramente. E enquanto tentam decifrar o próximo movimento, alguém segue na dianteira das pesquisas para o Governo do Estado — sem ter anunciado se é isso sequer que deseja.

Existe, nessa geometria política, uma lógica que às vezes parece absurda e que, justamente por isso, funciona. A incerteza, quando administrada com paciência e com nervo, não enfraquece quem a produz — ela drena a energia de quem tenta combatê-la. Os adversários chegaram ao ponto de consumir seu próprio tempo e sua própria concentração tentando antecipar uma jogada que talvez nem exista ainda. É um desperdício fértil, para JHC.

O mais eloquente sinal dessa equação é justamente o que as pesquisas registram: o protagonista lidera sem ter declarado o papel que pretende desempenhar. Em política, isso não é pouca coisa. É, na verdade, tudo. Quem ainda não entrou na disputa já a condiciona. Quem ainda não falou já pautou a conversa. As cartas estão viradas para baixo — e por enquanto, o único que sabe o que elas mostram é quem as segura.

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