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Trinta e três segundos

Trinta e três segundos. É nessa fresta de tempo — menos do que dura um comercial de margarina — que se resume, por ora, a distância entre os dois projetos que disputam o Governo de Alagoas.

O primeiro desenho oficial do horário eleitoral desfez, com a frieza dos cálculos, uma narrativa que parecia consolidada. Havia quem tratasse a eleição alagoana como peça de resultado previamente assinado. As projeções de agosto apontavam uma diferença superior a seis minutos favorável a Renan Filho no rádio e na televisão — margem que, no jogo da propaganda eleitoral, equivale a uma vantagem de geografia e não apenas de cronômetro. Agora, JHC terá 4min46s por programa contra 4min13s da aliança adversária. O abismo virou fresta. A fresta, quem sabe, vire janela.

A explicação para essa transformação tem nome, sobrenome e endereço em Brasília. A entrada do grupo de Arthur Lira no palanque de JHC foi o movimento que redesenhou o tabuleiro. Em política, a geometria das coligações não é arte decorativa: é engenharia de sobrevivência. Lira compreendeu essa aritmética com a precisão de quem passou anos contando votos no plenário da Câmara, e sua adesão converteu-se em segundos de TV e em candidaturas ao Senado — ele próprio encabeça a chapa, ao lado de Marina Cândia, com 3min18s por programa, contra os 2min55s da composição de Renan Calheiros e Dr. Wanderley.

Quando a propaganda eleitoral começar, em 28 de agosto, Alagoas vai descobrir que assistirá a uma disputa genuína — não ao desfile de um favorito. O tempo de tela, esse bem tão escasso e tão cobiçado, chegará ao guia praticamente repartido entre os dois campos. Para o eleitor, pode parecer detalhe técnico. Para os estrategistas de campanha, é a diferença entre plantar e colher.

Eleições se ganham e se perdem em muitos lugares: nas urnas, nos palanques, nas conversas de calçada, nas redes sociais e, ainda, naqueles minutos que o rádio e a TV entregam de graça nas casas do interior. Trinta e três segundos não decidem nada por si mesmos. Mas anunciam, com clareza, que ninguém vai decidir essa eleição antes de outubro.

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