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Num estado de poucos rostos novos, Marina Candia aposta em renovação e protagonismo feminino no Senado

Alagoas tem uma peculiaridade que volta e meia a história se encarrega de confirmar: o mapa político do estado foi desenhado a caneta por mãos que raramente se renovam. Os nomes mudam de posição, às vezes de legenda, mas o enredo costuma ser o mesmo — uma ciranda de famílias, compadres e herdeiros que se alternam no poder como se a representação fosse um bem de inventário.

É nesse cenário que Marina Candia entra na disputa pelo Senado carregando dois argumentos que, no contexto local, soam quase como provocação: renovação e protagonismo feminino. Num estado que vai escolher dois senadores e que até agora colocou na corrida apenas homens — todos eles, pode-se apostar, razoavelmente à vontade com o vocabulário da política de sempre —, ser a única mulher não é detalhe. É diferença. E Marina parece ter compreendido que a ausência das demais é, paradoxalmente, o maior trunfo que o calendário eleitoral poderia lhe oferecer.

Há uma geometria curiosa nisso. Quando todo o campo adversário converge para o mesmo perfil, o contraste não precisa ser forçado — ele se apresenta sozinho. Marina não precisou construir a distinção no laboratório da campanha; a distinção estava dada antes mesmo de ela pronunciar a primeira palavra de palanque. Basta que ela ocupe o espaço com competência e clareza para que o eleitor, cansado das repetições, perceba onde está a novidade.

Dito isso, seria ingênuo confundir oportunidade com vitória. A política alagoana, como poucos no país sabem melhor, não costuma render-se ao argumento mais justo ou mais elegante. Ela se move por força, por aliança, por fidelidade de voto construída em décadas. Renovação é uma promessa sedutora — especialmente para quem nunca experimentou o poder. A questão que Marina ainda terá de responder nas urnas é se o eleitor, desta vez, está disposto a trocar a certeza do conhecido pela aposta no diferente. Estarmos prontos para uma coisa e convencer os outros de que estamos são exercícios distintos, e o segundo é sempre o mais árduo.

O que se pode dizer, por ora, é que a candidata ao menos escolheu o terreno certo para plantar a sua semente. Num estado que elegeu gerações de senadores com a mesma cara, a mesma gramática e o mesmo sotaque do poder, uma voz diferente pode ser exatamente o que parte do eleitorado estava esperando — sem saber, ainda, que esperava.

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