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A guerra invisível

Há um instante clássico nas partidas de xadrez em que o jogador em desvantagem, sem peças suficientes para atacar, começa a derrubar as do adversário. Não é estratégia. É desespero disfarçado de movimento.

O que se noticiou nesta quinta-feira em torno da candidatura de JHC ao governo de Alagoas tem esse cheiro inconfundível. Perfis falsos, contas artificiais, inteligência artificial a serviço da desconstrução — a campanha do candidato tucano, líder nas pesquisas que apresenta, diz ter sido alvo de uma ação coordenada no Instagram. A Meta foi notificada. A Justiça Eleitoral será acionada. Os responsáveis, por ora, vivem no confortável anonimato dos algoritmos.

Vale a ressalva de praxe: até que uma apuração técnica confirme a origem e a coordenação do ataque, tudo é alegação. A política tem seus próprios fantasmas, e nem sempre eles são reais. Mas há uma lógica que o próprio cenário eleitoral costuma revelar — quem está confortável na disputa raramente precisa de exércitos de robôs.

JHC escolheu as palavras com cuidado ao comentar o episódio. Disse que faz uma campanha limpa, evocou o que construiu em Maceió, prometeu o que pretende fazer por Alagoas e, num aceno ao tabuleiro inteiro, lançou a frase mais reveladora: “para desespero dos que se acham donos de Alagoas”. Pouco importa quem são esses donos que ele não nomeia — o eleitor de Alagoas sabe de cor essa lista. Sabe há décadas.

O que esta história, verdadeira ou parcialmente verdadeira, revela de mais duradouro é um retrato do tempo em que vivemos: a disputa política migrou também para o território invisível das redes, onde a mentira se multiplica sem rosto e o barulho pode ser fabricado em série. A eleição de outrora se decidia nas praças. A de hoje se decide, em parte, em servidores que ninguém vê. E o eleitor, no meio disso tudo, tenta distinguir o real do gerado — tarefa que, convenhamos, nem sempre é simples até para quem está de fora.

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