Sete nomes. Duas cadeira. Oito anos.
Há algo de quase filosófico nessa aritmética simples que o calendário eleitoral de Alagoas apresenta para o Senado Federal. Não é drama, não é escândalo — é apenas a democracia funcionando com sua liturgia habitual, essa cerimônia periódica em que o povo é convocado a escolher quem falará em seu nome por tempo que, para os padrões humanos comuns, soa longo. Oito anos. Tempo suficiente para nascer uma criança e ela aprender a ler. Tempo suficiente para que o mundo mude de eixo. Tempo suficiente, também, para que o eleitor esqueça por que votou em quem votou.
Os sete concorrentes carregam, cada um, sua bandeira — o veterano com sua experiência acumulada e seus compromissos igualmente acumulados, o iniciante com o frescor de quem ainda não foi testado pelo poder, o estruturado que exibe musculatura de organização, o avulso que aposta na singularidade de não pertencer a nada. Há quem defenda a continuidade como virtude e quem a apresente como vício. Há quem empunhe a renovação como promessa e quem a questione como inexperiência disfarçada de idealismo. O cardápio é sortido — e o eleitor alagoano, como sempre, terá de descobrir sozinho o que está dentro de cada prato.
A campanha ainda rasteja em seu tempo prematuro, e qualquer palpite lançado agora é tiro no escuro — não vale o papel em que seria impresso. As candidaturas se revelarão pelo ritmo que adotarem e pela resposta — ou pelo silêncio — do eleitorado. Esse diálogo entre postulante e povo raramente acontece nos termos em que qualquer um dos dois esperava.
O que permanece certo, no meio de tanta incerteza, é o mecanismo. No dia 4 de outubro, dois nomes serão eleitos. Pode ser que não sejam os que você queria. Pode ser que não sejam os que eu queria. Não importa: serão os que o voto escolheu, e esse é o único critério que a democracia conhece — imperfeito, tardio, às vezes ingrato, mas ainda o melhor que a humanidade foi capaz de inventar para resolver, sem sangue, a questão do poder. Só é assunto quem vence. Os demais viram anedota ou voltam em quatro anos.




