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Renan descobre as mulheres, Lira empunha o passado e Marina joga no próprio tabuleiro

Três nomes, duas vagas, um estado que observa o duelo como quem assiste a um jogo de xadrez com peças conhecidas demais. A disputa pelo Senado em Alagoas tem a consistência das brigas antigas — aquelas em que os contendores se conhecem de cor, sabem onde dói, e usam isso com a naturalidade de quem enfia uma faca com sorriso nos lábios.

Arthur Lira e Renan Calheiros se parecem mais do que qualquer um dos dois gostaria de admitir. Ambos apostam na geometria clássica do poder: prefeitos, lideranças, a teia capilar que tecida com paciência transforma voto em planilha. A diferença, por ora, é que Calheiros descobriu as mulheres — ou, mais precisamente, descobriu que precisava delas. Investe nesse flanco com a urgência de quem chegou tarde à festa mas ainda quer dançar. Lira, por sua vez, empurra o anti-calheirismo pela capital afora, usando o episódio do Hospital da Cidade como instrumento de corte: na versão que seus aliados narram, Renan teria atuado para atrapalhar a aquisição. É o passado servido como garrote. Nada de novo sob este sol alagoano.

Marina Cândia joga em outro tabuleiro. Única mulher na corrida, ergueu como estandarte o lema “mulher vota em mulher” e construiu uma candidatura que mistura o fervor da retórica religiosa — a imagem da família vitoriosa, a mulher como centro moral — com pitadas de discurso progressista, especialmente quando o assunto é autonomia financeira feminina. É uma equação delicada, quase instável, essa de conciliar o púlpito e a tribuna, a tradição e a emancipação. Mas Marina parece apostar que a contradição, bem manejada, é também uma forma de alcance.

O que se desenha, afinal, é uma eleição com três apostas distintas sobre o que move o eleitor: a rede de poder tradicional, o ódio personalizado ao adversário, e a identidade de gênero como campo de disputa. Cada um dos três acredita ter o mapa certo. O problema, como sempre, é que o eleitor não lê os mesmos mapas que os candidatos. E Alagoas, que já viu muita certeza virar surpresa nas urnas, não deve nada em matéria de reviravolta.

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