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Mesmo fora do Senado, Renan Filho gastou mais de 2 milhões com benefícios

 

_Suplente assumiu a vaga no senado, mas Renan seguiu fazendo uso do dinheiro público pela função de senador_

Eleito senador em 2022, Renan Filho permaneceu apenas um dia no cargo antes de se licenciar para continuar como ministro dos Transportes. Mesmo afastado do exercício parlamentar, recebeu ajuda de custo de início de mandato, optou por receber sua remuneração pelo Senado e manteve benefícios vinculados à Casa

Renan Filho já integrava o governo Lula como ministro dos Transportes quando, em 1º de fevereiro de 2023, tomou posse como senador da República. No dia seguinte, 2 de fevereiro, seu suplente Fernando Farias assumiu a cadeira. A permanência relâmpago, no entanto, não impediu o pagamento da chamada ajuda de custo de início de mandato, conhecida como auxílio-mudança. Naquele momento, o benefício correspondia a R$ 39.293,32, exatamente o valor do subsídio mensal pago aos senadores.

A sequência não parou no auxílio de quase R$ 40 mil. Enquanto comandava o Ministério dos Transportes, Renan Filho fez a opção de continuar recebendo sua remuneração pelo Senado Federal. Os valores foram aumentando ao longo do período: R$ 39.293,32 mensais no início de 2023, R$ 41.650,92 a partir de abril daquele ano, R$ 44.008,52 a partir de fevereiro de 2024 e R$ 46.366,19 a partir de fevereiro de 2025. Considerando o período de fevereiro de 2023 até março de 2026, último mês completo antes de deixar o Ministério, os subsídios somam aproximadamente R$ 1,67 milhão brutos pagos pelo Senado.

O que chama atenção é que, mesmo licenciado do exercício parlamentar durante mais de três anos, Renan manteve sua remuneração vinculada à Casa e continuou utilizando outros benefícios destinados aos senadores. Outro benefício aparece nos próprios registros de transparência do Senado. Renan Filho utilizou imóvel funcional do Senado Federal por 39 meses no período em que era ministro. Para dimensionar economicamente o benefício, imóveis de padrão semelhante na Asa Sul, em Brasília, com aproximadamente 200 metros quadrados e quatro quartos, aparecem no mercado com aluguéis em torno de R$ 10 mil mensais. Aplicando essa referência aos 39 meses representaria aproximadamente R$ 390 mil em aluguéis.

Renan Filho também permaneceu vinculado ao sistema de assistência à saúde do Senado durante o período em que esteve no Ministério dos Transportes. Segundo levantamento do Ranking dos Políticos, o custo médio mensal por beneficiário da assistência à saúde do Senado chegou a R$ 5.362,59. Considerando apenas o parlamentar e tomando essa média como referência para os 39 meses, o valor seria de aproximadamente R$ 209,1 mil.

Levantamentos publicados pela imprensa mostram que o Ministério dos Transportes registrou 42 voos da FAB no primeiro semestre de 2026. Metade deles, 21 voos, foi realizada pelo próprio Renan Filho. Parte significativa das viagens teve Maceió como origem ou destino. Só os números que podem ser dimensionados permitem visualizar gastos de aproximadamente R$ 2,31 milhões.

Vale lembrar que o afastamento de Renan Filho não eliminou os custos relacionados à cadeira no Senado. Durante o período em que esteve licenciado, seu suplente assumiu o mandato e passou a receber salário parlamentar e os benefícios previstos para o exercício da função. Na prática, enquanto Renan Filho continuava recebendo pelo Senado mesmo exercendo o cargo de ministro, a cadeira por Alagoas também gerava despesas com o senador em exercício.

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