Dupla jornada, trabalho, filhos, casa, autocobrança e carga mental colocam em
debate o esgotamento feminino; nova NR-1, em vigor desde maio, amplia discussão
sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho
Ela trabalha, resolve problemas profissionais, administra a casa, acompanha os filhos,
organiza compromissos da família, cuida de outras pessoas e, muitas vezes, ainda sente
que precisa estar emocionalmente disponível para todos.
Durante muito tempo, essa mulher foi elogiada como aquela que “dá conta de tudo”.
Mas qual é o preço emocional dessa conta?
A sobrecarga feminina pode ser o ponto de partida para uma pauta sobre exaustão,
autocobrança, culpa, dificuldade de estabelecer limites e saúde emocional das
mulheres, tendo como fonte a mentora de mulheres Jaqueline Rocha, a Jaque Rocha.
Os números ajudam a dimensionar essa desigualdade. Segundo o IBGE, em 2022 as
mulheres brasileiras dedicavam, em média, 21,3 horas por semana aos cuidados de
pessoas e/ou afazeres domésticos, enquanto os homens dedicavam 11,7 horas. São 9,6
horas semanais a mais de trabalho não remunerado para elas.
Quando essa carga se soma ao trabalho remunerado, às responsabilidades familiares e à
pressão por desempenho, o debate sobre saúde mental ganha ainda mais importância. O
Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais
em 2025, número cerca de 15% superior ao registrado em 2024.
O assunto ganhou um novo e importante componente em 2026. Desde 26 de maio, está
em vigor a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 – NR-1, do Ministério do
Trabalho e Emprego, que passou a explicitar os fatores de riscos psicossociais
relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
Na prática, aspectos da organização do trabalho, como sobrecarga de demandas,
pressão excessiva, assédio e outras condições capazes de favorecer estresse e
esgotamento, precisam ser considerados pelas organizações dentro do processo de
identificação, avaliação e prevenção de riscos ocupacionais.
O momento é especialmente oportuno para a pauta porque o Ministério do Trabalho
estabeleceu, após a entrada em vigor da nova redação, um período inicial de 90 dias no
qual a fiscalização tende a priorizar orientação, instrução e adequação das empresas
em relação às novas exigências. Em agosto de 2026, portanto, esse período está em sua
reta final.
A proposta da entrevista, porém, não precisa ficar restrita ao ambiente corporativo.Jaque Rocha pode abordar a mulher por trás da profissional: aquela que termina o
expediente, mas continua trabalhando mentalmente; que carrega a agenda dos filhos, as
necessidades da família, problemas domésticos, responsabilidades financeiras e
preocupações emocionais; e que, muitas vezes, demora a perceber que está chegando ao
limite.
A fonte também pode falar sobre padrões muito presentes entre mulheres
sobrecarregadas: dificuldade de dizer “não”, sentimento de culpa ao descansar,
necessidade de atender às expectativas de todos, perfeccionismo, autocobrança,
centralização de responsabilidades e a crença de que pedir ajuda representa fraqueza ou
incompetência.
Ao longo da vida feminina, ainda existem diferentes mudanças fisiológicas e hormonais
que podem interferir em sono, disposição, humor e bem-estar. Esse aspecto pode integrar
a discussão sobre autocuidado, desde que não seja confundido com a causa do burnout.
A Síndrome de Burnout é relacionada ao contexto profissional e ao estresse crônico
no trabalho, e o Ministério da Saúde aponta o excesso de trabalho entre seus principais
fatores.
Assim, um dos caminhos mais interessantes para a matéria é justamente diferenciar
cansaço, sobrecarga geral e burnout, além de discutir quando a cultura de “ser forte e
dar conta de tudo” deixa de representar autonomia e começa a representar adoecimento.
POSSÍVEIS ABORDAGENS PARA A ENTREVISTA
• Por que tantas mulheres sentem culpa quando descansam?
• De onde vem a necessidade feminina de “dar conta de tudo”?
• Por que mulheres profissionalmente bem-sucedidas também podem ter
dificuldade de estabelecer limites?
• Qual o peso da carga mental de lembrar, organizar e antecipar as
necessidades da família?
• Quando responsabilidade passa a ser sobrecarga?
• Como perceber que o corpo e a mente estão chegando ao limite?
• Qual a diferença entre estar cansada, emocionalmente sobrecarregada e
apresentar um quadro de burnout?
• Como aprender a dividir responsabilidades sem sentir culpa?
• A mulher precisa deixar de centralizar tudo para conseguir preservar a
própria saúde?
• Como as empresas também precisam rever ambientes marcados por
pressão, sobrecarga e outros riscos psicossociais?
• O que muda com a nova NR-1?
• Por que cuidar da saúde emocional não significa apenas “ser mais forte”,
mas também rever rotinas, limites e relações?DADOS QUE PODEM SER DESTACADOS NA REPORTAGEM
21,3 horas por semana – tempo médio dedicado pelas mulheres brasileiras a afazeres
domésticos e cuidados de pessoas, contra 11,7 horas dos homens.
Fonte: IBGE – Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil.
Mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais foram registrados no Brasil em
2025, crescimento de aproximadamente 15% em relação ao ano anterior.
Fonte: dados da Previdência Social divulgados em 2026.
26 de maio de 2026 – entrada em vigor da nova redação da NR-1, que incluiu
expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no
Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego.
FONTE PARA ENTREVISTA:
Jaqueline Rocha (Jaque Rocha)
Mentora de mulheres





