O relógio da política tem um tique-taque próprio. Não o do cotidiano, aquele manso e regular que governa almoços e compromissos de agenda. O da política é outro: arrítmico, sobressaltado, cheio de pausas longas que explodem em segundos de adrenalina pura.
Dia 21 chega uma pesquisa de intenção de voto para governador. E é curioso observar como um único número — ainda encoberto, ainda na barriga do instituto — é capaz de reorganizar conversas, rearranjar sorrisos, redefinir o tom das ligações telefônicas que circulam pelos bastidores.
Porque a pesquisa, antes mesmo de ser publicada, já trabalha. Ela trabalha no imaginário dos candidatos que se julgam à frente e temem a surpresa, dos que se sabem atrás e torcem pelo milagre de uma virada, dos que financiam campanhas e recalculam apostas com a frieza dos que sabem que dinheiro não tem partido, tem retorno. O número que ainda não existe já movimenta peças no tabuleiro.
Há quem diga que pesquisa não decide eleição. E é verdade. Mas pesquisa constrói narrativa — e narrativa, na política contemporânea, é quase tudo. O candidato que lidera nos números ganha ares de inevitável; o que despenca precisa explicar a queda antes mesmo de cair. O instituto não prevê o futuro: ele edita o presente.
Resta esperar o dia 21. O relógio conta. Tique. Taque.




