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Rejeição, renovação e dependência: os três dilemas que moldam a corrida ao Senado em Alagoas

Há corridas que se decidem antes de o largador disparar o tiro. Nos bastidores de Alagoas, enquanto o eleitor ainda pondera, os estrategistas já releem as pesquisas internas com o mesmo cuidado ansioso de quem examina um eletrocardiograma à beira do leito. Os números falam. Os candidatos ouvem. E cada um, à sua maneira, recalcula a rota.

Arthur Lira construiu sua narrativa sobre o municipalismo — o homem dos municípios, o defensor das cidades miúdas espalhadas pelo sertão e pelo agreste. Mas a ironia da geografia política é que justamente em Maceió, a maior vitrine do estado, sua rejeição o obriga a caminhar colado a JHC, o prefeito que na capital tem o que Lira não tem: popularidade fácil e trânsito nas ruas. Uma aliança de conveniência tão transparente quanto necessária.

Marina Cândia carrega um trunfo e um fardo na mesma mão. Ser a única mulher na disputa ao Senado lhe confere visibilidade natural, quase automática — o olho do eleitor procura a diferença, e ela é a diferença. O problema é que sua imagem chegou tarde demais à independência: estava por demais soldada à figura do marido, e o apelo “mulher vota em mulher” perdia força quando a candidata parecia extensão de outra candidatura. A solução veio de Célia Rocha, que passou a interiorizá-la e a emprestar-lhe a própria presença como selo de autonomia. Pequeno ajuste, efeito cirúrgico.

E então há Renan Calheiros, que disputa sua quinta reeleição ao Senado com a naturalidade de quem ocupa uma poltrona que já considera sua por direito de antiguidade. Cinco mandatos. O número, por si só, alimentou o anti-calheirismo com argumento fácil e eficaz — é o tipo de dado que dispensa oratória. A resposta dos estrategistas foi elegante na sua simplicidade: puseram mais mulheres ao lado do candidato, Teca Nelma à frente, candidata à Assembleia Legislativa, emprestando ao veterano uma moldura de renovação que os anos sozinhos já não conseguem construir.

No fundo, o que estas pesquisas internas revelam é menos sobre os candidatos e mais sobre o eleitor alagoano: um eleitor que ainda está sendo cortejado, negociado, reposicionado como peça em tabuleiros que ele sequer sabe que existem. As campanhas se ajustam a ele sem nunca lhe perguntar nada. A democracia, como sempre, acontece em dois andares — e o público só tem acesso ao de baixo.

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