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Rede de maternidades de Alagoas é precária, apesar de Renan Filho dizer que estrutura já existe

 

_Declaração de Renan Filho contrasta com cenário de concentração dos serviços especializados e com as dificuldades enfrentadas por gestantes que vivem no interior_

Durante entrevista na televisão nesta sexta-feira (18), o candidato ao Governo de Alagoas Renan Filho (MDB) criticou a proposta de JHC (PSDB) de regionalizar a assistência materno-infantil e afirmou que o adversário estaria prometendo algo que já existe no Estado.

“Muito me afeta ver o outro candidato ao governo de Alagoas dizer que vai regionalizar maternidade. Isso já existe. Eu fiz maternidade em Porto Calvo, União dos Palmares, Palmeira dos Índios, em Delmiro Gouveia. Ele promete o que já tem”, declarou.

O cenário da saúde, porém, mostra que a discussão não se resume à existência física de maternidades, mas envolve acesso, distribuição de serviços especializados e capacidade de atendimento em todas as regiões.

Dados oficiais apontam que a rede especializada permanece fortemente concentrada em Maceió: dos 44 centros e clínicas especializados citados, 38 estão na capital. Outro indicador importante é que 80 dos 102 municípios alagoanos não possuem leitos próprios para gestação de alto risco.

Na prática, isso significa que a existência de uma maternidade em determinada cidade não necessariamente representa acesso integral ao atendimento necessário para uma gestação de maior complexidade. A própria Secretaria de Estado da Saúde reconhece a necessidade de organização regional da assistência. A Maternidade Escola Santa Mônica permanece como referência estadual para casos de alto risco, apesar do abandono do governo estadual na unidade.

O desafio também envolve os resultados da assistência. Os óbitos maternos declarados em Alagoas passaram de 16, em 2017, para 33, em 2025 — crescimento de 106,2% —, enquanto 82% dessas mortes seriam consideradas evitáveis, de acordo com dados citados pelo Ministério da Saúde.
É nesse contexto que a proposta de JHC de regionalizar ainda mais a assistência materno-infantil ganha espaço no debate eleitoral. A questão colocada pelo candidato é ampliar a capacidade de atendimento fora da capital e aproximar serviços especializados da população do interior.

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