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Assédio silencioso

A reta final de campanha tem uma lógica própria, implacável e simples: quem perde o foco, perde o jogo. Não há segunda chance de impressão no último lance. E é justamente essa crueza que torna os movimentos finais tão reveladores do estado real das forças em campo.

A dobradinha entre Lira e JHC, que a coligação do PSDB com o PP vai agora empurrar com vigor especial em Maceió, é o reconhecimento tácito de que algo está rangendo. Quando se precisa gritar “Lira é JHC e JHC é Lira” para que o eleitor acredite na fusão, é porque a fusão não está se dando sozinha, naturalmente, como a boa política costuma fazer. Cola que se anuncia é cola que não colou.

O problema concreto tem nome e sobrenome: Dantas. O Palácio do governo alagoano enviou seu operador pessoal para trabalhar as bases do pepista, e o trabalho, ao que se apura, está rendendo frutos. É o tipo de assédio que não faz barulho mas desfia a malha eleitoral por dentro, fio a fio, silencioso como cupim em viga centenária. Quando se percebe a extensão do estrago, o teto já ameaça ceder.

Nesse xadrez, o que a coligação PSDB-PP tenta fazer é clássico e compreensível: usar a figura maior para cobrir e proteger a menor. Lira, com seu peso nacional, serve de escudo e de alavanca. A questão é que escudos emprestados têm limite de resistência — e eleitor assediado com resultado, como o material indica ser o caso, já começou a se mover.

Foco, dizem os estrategistas, é tudo na campanha. Pois bem. O foco do grupo governista parece estar notavelmente mais afiado do que o da oposição gostaria.

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