Há uma impaciência que antecede todo governo novo como a ressaca antecede a ressaca — ansiosa, ruidosa e, na maior parte das vezes, inútil. Em Alagoas, o calendário ainda não virou, e já se ouve o murmúrio de quem quer adivinhar o gabinete de JHC antes que ele próprio o saiba ou, ao menos, antes que resolva anunciá-lo.
É compreensível, esse afflatus coletivo de antecipar o futuro. A política alagoana tem seus ritos de passagem, e o mais célebre deles é exatamente este: o período em que se confunde expectativa com informação, vazamento com decisão, rascunho com destino. Nomes circulam, orgulhos se inflamam, offrecords se multiplicam com a fecundidade dos pães no milagre bíblico. E, no centro de tudo isso, o eleito permanece em silêncio ou fala pouco — o que, para quem não o conhece, pode parecer ausência, mas para quem o acompanha é, simplesmente, o seu método.
JHC tem, como poucos na sua geração, a rara qualidade de não se deixar engolir pelo calendário alheio. Já demonstrou isso em mais de uma ocasião, e quem ainda não percebeu ou não quis perceber. O governador eleito tem tempo próprio. Tem estilo próprio. E governar, antes mesmo de começar, já é, para ele, um ato de afirmação dessa autonomia.
Portanto, até que venha o posicionamento formal e público — não o boato sussurrado no corredor, não a fonte que “sabe de tudo”, não o amigo do amigo do secretariável —, o que circula é hipótese. Quando muito, especulação educada. Quando menos, fofoca com pretensão de análise. O novo governo de Alagoas só começa quando JHC começar. E não um minuto antes.




