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Antes do apito

 

A Assembleia Legislativa de Alagoas ainda não inaugurou o novo ano legislativo, e já se instalou, nos corredores do poder, aquela atmosfera espessa que antecede as grandes disputas de bastidor. JHC, governador eleito, não esperou a posse para mostrar que entende o jogo. Antes mesmo de cruzar o portal do Palácio, já movimenta peças no tabuleiro da Casa que, em tese, deveria fiscalizá-lo.

É o velho princípio de quem governa com método: ninguém controla o executivo sem primeiro assegurar que o legislativo não lhe seja hostil. Dez nomes já estariam comprometidos com a articulação — Tenorinho, Malta, Lucas Barbosa, Delegado Leonam, Cabo Bebeto, Leonardo Dias e Mesaque Padilha entre eles —, e mais quatro parlamentares negociariam a adesão em sigilo, aquela penumbra discreta que é o habitat natural das definições políticas reais. Não é conspiração. É o rito de passagem de todo poder que se instala com consciência de si mesmo.

O que intriga os observadores mais atentos não é a existência da articulação — isso seria ingenuidade esperar de outro modo —, mas a sua escala. Dez confirmados e quatro em negociação formam uma bancada capaz de disputar, mas não necessariamente de vencer. E a diferença entre disputar e vencer, no parlamentarismo informal das assembleias estaduais, é precisamente a diferença entre governar com facilidade e governar com obstáculos permanentes.

Resta saber se o grupo terá fôlego para alcançar a maioria ou se o pragmatismo falará mais alto, levando JHC a negociar sua incorporação ao bloco já consolidado. Na política, como nas geometrias euclidianas, o caminho mais curto entre dois pontos nem sempre é a linha reta — às vezes é a capitulação elegante travestida de aliança estratégica. A Mesa Diretora da ALE, nessa lógica, vale cada conversa sigilosa, cada adesão cuidadosamente anonimizada antes de se tornar pública.

O calendário agora trabalha como árbitro. As próximas movimentações revelarão até onde vai a força real dessa articulação — e, sobretudo, até onde vai a disposição do governador eleito de impor sua marca antes mesmo de sentar na cadeira. Quem aprendeu a ler política nos gestos e não apenas nas declarações já entendeu a mensagem. O jogo, como sempre, começou antes do apito.

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