Há políticos que crescem aparecendo e há os que crescem ficando. Chico Filho pertence à segunda espécie, a mais rara e, convenhamos, a mais eficiente. Enquanto meio mundo disputava holofote na transição, ele cuidou do que sempre soube fazer: manter a Câmara de Maceió em paz com o Palácio e consigo mesma.
Daí a sua recondução, que nas últimas duas semanas deixou de ser hipótese para virar quase formalidade. Não houve estrondo, não houve bancada rachada, não houve a tradicional feira de promessas que costuma preceder a escolha de presidente de Casa legislativa. Houve, apenas, a constatação de que a conciliação deu certo — e que mexer no que funciona é esporte de amador.
A lealdade, nesse enredo, tem data e endereço. Chico trocou de legenda rumo ao PSDB no mesmo movimento de JHC, hoje governador eleito, e não cobrou a passagem no ato. Ainda ajudou a montar a chapa que elegeu um federal tucano. Em política, esse tipo de conta não se esquece: fica anotada, com juros, no caderno dos que distribuem cargos.
Tanto que o nome dele chegou a ser cogitado para o secretariado estadual. Recusado não, reposicionado: o círculo mais próximo do prefeito concluiu que Chico rende mais onde está, fazendo a ponte entre os vereadores e Rodrigo Cunha. É o velho princípio de que a peça mais valiosa do tabuleiro nem sempre é a que avança — às vezes é a que sustenta a estrutura inteira sem sair do lugar.
Resta a quem sonhava com a cadeira o consolo dos que chegam tarde à repartição: espere sentado, que a fila anda devagar.
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Recondução A permanência de Chico Filho no comando da Câmara de Maceió pelos próximos dois anos ganhou corpo nas últimas duas semanas e hoje tem tudo para se confirmar.
Conciliação O perfil negociador do presidente manteve bom relacionamento dentro e fora da Casa — e serviu de lastro para que a gestão de JHC na Prefeitura fosse exitosa.
Mudança de pele A migração para o PSDB no mesmo momento da de JHC não foi coincidência de calendário: foi declaração de lealdade ao projeto político do grupo.
Dividendo Na eleição, Chico foi peça fundamental na chapa que elegeu um federal tucano. Serviço prestado não costuma ficar sem retribuição.
Convite recusado Cogitado para o futuro secretariado estadual, acabou mantido no Legislativo pela avaliação de que ali fortalece a relação entre os vereadores e o prefeito Rodrigo Cunha.
Não ofende Quem é imprescindível onde está também pode ser dispensável em outro lugar?




